Douto-Estranho

Crítica: Doutor Estranho

Desde 2008, com a estreia de “Iron Man”, a Marvel emplacou sucessos em sequencia na grande tela, muito por causa de sua fórmula que mistura humor, ótimas cenas de ação e, quem sabe, uma boa história. Neste contexto, após oito anos do início desta saga, Dr. Estranho chegou aos cinemas brasileiros numa atmosfera de empolgação e questionamento, já que um universo místico estava prestes a ser incorporado ao MCU.

Dirigido por Scott Derrickson, e estrelado por ninguém menos que Benedict Cumberbatch, este longa conta ainda com Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Tilda Swinton, Mads Mikkelsen e Benedict Wong, cada um exercendo sua função de forma competente e até com certo brilho.

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O início do filme é promissor, conta com uma sequencia excelente para nos introduzir ao personagem de Stephen Strange, um neurocirurgião com uma habilidade que só não supera a sua arrogância, e todo o seu caminho até o acidente que lhe custou grande parte do movimento das mãos.

O drama é muito bem trabalhado e Benedict Cumberbatch entrega um homem quebrado pelo destino, sem esperanças e genuinamente desesperado. No entanto, este clima denso é abruptamente interrompido (como iria ocorrer pelo resto do filme) por alguma piada ou alívio cômico.

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Doutor Estranho/Reprodução

A viagem de Strange para o nepal é o ponto em que o mundo real fica para trás e o mundo da magia enche a tela. Desde a primeira aparição da Anciã, a tela é tomada por efeitos visuais e toda a explosão de cores, movimentos que ignoram as leis da física, viagens entre dimensões e takes que desafiam o que conhecemos como racionalidade, mas ao mesmo tempo enchem nossos olhos de prazer. Os efeitos especiais são o grande trunfo deste filme, que briga pelo Oscar nesta categoria, e são um deleite para os fãs de magia.

Entre momentos épicos de viagens por dimensões durante frações de segundo e piadinhas inoportunas para aliviar trechos com maior peso dramático, sinto que a identidade do longa se perdeu neste descompasso criado pelo roteiro, sem dúvidas o maior déficit de todo o filme, sendo este responsável pelo subaproveitamento dos personagens, muito bem interpretados pelo elenco, mas que acabaram carecendo de maior profundidade.

No fim das contas, Dr. Estranho tem uma beleza exuberante, possui um vilão sem peso, várias fan services, personagens sem o aproveitamento merecido e ainda assim é divertidíssimo e merece o selo Marvel de qualidade.

Sendo o segundo filme da fase três da Marvel, Dr. Estranho trouxe a impressão de que a fórmula utilizada pela Disney durante os outros 13 filmes seria revisada e, quem sabe, algumas coisas novas poderiam ser testadas neste longa. Mas estas expectativas foram frustradas por algo que (ao meu ver) pode ser definido como “falta de coragem”.

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