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Crítica: Fences

É década de 1950, uma sexta-feira qualquer na cidade de Pittsburgh no estado americano da Pensilvânia. Somos conduzidos pelas ruas charmosas dos anos dourados, em um agradável ar de nostalgia.

Logo somos apresentados a Troy Maxson (Denzel Washington) e Jim Bono (Stephen Henderson), que estão encerrando mais um dia de trabalho ao fim de uma exaustiva semana. Eles caminham pelas ruas de seu bairro, conversando sobre as coisas comuns da vida e cumprimentando a vizinhança. Troy chega a sua casa ao final daquela tarde, da um beijo em sua mulher Rose (Viola Davis), e senta-se com seu amigo Bono no quintal dos fundos da casa. Ele se prepara para contar mais uma de suas histórias, e então somos finalmente apresentados a Fences (Cercas – “Um Limite Entre Nós”).

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Troy trabalha como coletor de lixo, junto com seu amigo Bono. Troy é um trabalhador dedicado que se preocupa com o sustento financeiro de sua família, mas é um homem frustrado por ter tido o seu sonho de se tornar um jogador de Baseball interrompido. Os homens da idade de Troy ainda carregavam as marcas da recente segunda guerra mundial, principalmente por que seu irmão Gabriel Maxson (Mykelti Williamson) foi gravemente ferido em guerra e ficou com problemas mentais desde então.

E se já não bastasse todas suas dificuldades, muitos desses homens tinham que lidar com o preconceito racial. Era uma época injusta, onde a cor da pele tinha mais valor do que o caráter de um homem, um lugar nada fácil para crescer.

Fences/Reprodução

Fences/Reprodução

Ele é o típico pai firme dos anos 50, e que não demonstra afeto paterno, tanto para seu filho mais novo Cory (Jovan Adepo), que tem o sonho de se tornar um atleta famoso e habilidoso, como para seu filho mais velho Lyons (Russell Hornsby), um aspirante a musico que tenta a sorte nos Pub’s de Pittsburgh.

Fences é baseado na peça homônima escrita pelo dramaturgo August Wilson no ano de 1983. Recebeu prêmios importantes como o Tony Award e o Pulitzer de Teatro em 1987. Viola Davis e Denzel Washington já haviam interpretado os mesmos papeis nos teatros alguns anos antes, e ambos receberam premiação por esse papel.

O filme, que é dirigido e estrelado por Denzel Washington, procura ser fiel a obra original, mantendo até os principais elementos da formula teatral. E é nesse momento onde percebemos que, por mais bem trabalhado que tenha sido esse filme, ele não conseguirá agradar a todos os gostos. De maneira alguma isso é um demérito, apenas uma característica singular da narrativa mais lenta e dos cenários reduzidos, linguagem que conversa com os amantes das Artes cénicas, e para esses a experiência será muito mais intensa.

Não há nada de inovador em toda a trama, equilibrando-se em momentos breves de felicidade na vida dos protagonistas, mas contrastando com os dramas familiares e conjugais. Em alguns momentos o filme chega a perder bastante seu ritmo, mas ganha em muito na atuação de Viola Davis, que consegue transpor todos os limites para entregar uma atuação digna de Oscar.

 Denzel Washington também está muito bem em sua atuação, e embora não tenha sido seu melhor papel, pois acaba se tornando indigesto no andamento da história, toda a construção do personagem nos faz acreditar na dor e no egoísmo do homem em que o vemos representar.

Fences é um filme bom para se apreciar, e que conta mais um capítulo da história difícil de um americano negro dos anos 50, porém, nos mostra que nem todos os azares são responsabilidade da sociedade, mas também das escolhas que se faz. Não é uma história de superação, é um mais breve relato sincero sobre os verdadeiros roteiristas da vida: Nós.

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