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Crítica: Invasão Zumbi

Zumbis certamente possuem um espaço especial na cultura pop, desde as obras clássicas de George Romero até dramas de sobrevivência como “The Walking Dead”, os zumbis são utilizados como gatilho para discussões sobre política e sociedade, sendo empregados como um retrato caricato daquilo que conhecemos como humanidade.

Nesse contexto, Invasão Zumbi (ou “Trem para Busan” caso você preferir) nos traz uma nova perspectiva para os famigerados comedores de cérebro. O filme não inova em conceitos de surgimento e comportamento dos Zumbis, sendo estes muito semelhantes aos vistos em “Guerra Mundial Z”, ou seja, são feras sedentas por sangue, rápidas, fortes, descontroladas, mas desprovidas de certa inteligência. O trunfo deste longa está em focar sua atenção nos personagens.

invasao-zumbi-critica-05Invasão Zumbi é um filme sul-coreano, dirigido por Sang-ho (fazendo sua estreia no cinema live action), tendo na formação do núcleo principal os atores Gong Yoo, Yumi Jung, Dong-seok Ma, Choi Woo-Shik e Kim Soo-Ahn (uma atriz mirim cativante), com produção da Paris Filmes e um orçamento visivelmente baixo, o longa chegou ao Brasil em 29 de dezembro.

O filme nos mostra a vida de Seok-woo, um homem em processo de divorcio, focado exclusivamente no seu trabalho e que constantemente negligencia sua filha Soo-an. A menina está aflita para poder ver sua mãe no dia de seu aniversário e, desse modo, convence seu pai a levá-la até Busan (cidade onde sua mãe vive). Devido à alguns eventos estranhos os dois são forçados a seguir a viagem por trem. Uma garota infectada entra no vagão, coisas estranhas começam a acontecer e o que se segue é uma cruzada eletrizante por sobrevivência.

invasao-zumbi-2-1100x736O trabalho dos atores é um destaque desta obra, tendo em vista os contorcionismos nas transformações (algumas parecem impossíveis) ou a alta carga dramática empregada nos semblantes dos personagens, sendo Kim Soo-Ahn o destaque deste grupo, tendo em vista a dificuldade em interpretar uma personagem tão carismática e complexa quanto Soo-an.

Apesar de alguns problemas com CGI, o longa possui uma direção eficiente e criativa, sendo pautada na imersão do espectador, de modo que, para provocar uma sensação claustrofóbica (afinal o longa passa 90% do seu tempo dentro do trem) ao invés do diretor utilizar de closes (como de costume), a tática é abrir o plano e escancarar o espaço (altamente limitado) no qual a ação ocorrerá, o que fatalmente aumenta a tensão da cena, pois sabemos que não existem brechas para escape.

zumbi-05Ao se distanciar de discussões políticas o longa ganha uma identidade própria, pois lida com conceitos primitivos da nossa humanidade, tais como o “efeito manada”, a reação instintiva, a sobrevivência, a moralidade, entre outros. Somos, portanto, confrontados com ondas de emoções distintas – alegria, revolta, tristeza, alívio e medo – o que por si só é uma experiência gratificante e demonstra a qualidade deste filme.

Invasão Zumbi não é “mais um filme sobre zumbis”, mas sim um dos melhores, quiçá o melhor, filme de zumbi do século XXI.