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Crítica: Kubo e as Cordas Mágicas

“Se você precisar piscar, faça isso agora. Pois se você fechar os olhos, mesmo que por um segundo, nosso herói certamente morrerá”.

Em outubro deste ano, o estúdio LAIKA (responsável pelo excelente Coraline) nos entregou uma animação em stop motion dirigida por Travis Knight e com vozes de Matthew McConaughey e Charlize Theron. O longa nos conta a história de como Kubo e sua mãe escaparam do Rei da Lua e suas filhas que queriam roubar o outro olho do menino. Estes continuam a procurar Kubo, de modo que o garoto nunca pode se expor à luz da lua.

Para poder cuidar de sua mãe, Kubo utiliza da sua magia para dar vida à origamis através de sua música (utilizando um shamisen) e assim conseguir algumas moedas numa pacata vila. No entanto, ele se descuida, a noite chega e com ela os mais diversos perigos, agora Kubo deve seguir em uma jornada para reencontrar as peças da armadura de seu falecido pai, o maior guerreiro samurai que o mundo já viu e, desse modo, derrotar o Rei da Lua.

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Kubo e as Cordas Mágicas/Reprodução

A fluidez dos bonecos utilizados nesta animação é impressionante, mesmo as cenas de batalhas, cuja movimentação é mais exigente, são excelentes e não transparecem que estes personagens são apenas bonecos e não resultado de CGI. Este é um fato curioso, pois o estúdio LAIKA se empenha em dar vida à bonecos, ao mesmo tempo em que Kubo (com sua magia) dá vida aos origamis em suas histórias.

Esta animação é muito mais densa do que pode parecer ao início, pois aborda conceitos referentes ao significado da morte, discorrendo sobre como nós sobrevivemos mesmo após a nossa partida, também sobre como os seres são finitos e ao mesmo tempo eternos, sobre a importância da mortalidade, entre outras reflexões pertinentes ao ser humano.

Tanto a trama quanto os personagens são muito cativantes, é uma tarefa praticamente impossível tentar não se apegar à eles. A miscigenação entre inocência e sabedoria que envolvem Kubo é feita com muito carinho, de modo que o protagonista alterna entre momentos de humor intrínsecos à uma criança e momentos de diálogos extremamente refinados, tudo isso é feito de uma maneira orgânica e, em nenhum momento, parece forçado.

O roteiro de Chris Butler e Marc Haimes é bem construído e muito corajoso ao nos entregar desfechos surpreendentes para alguns personagens, bem como nos apresentar um final diferente do esperado, mas que é tocante e muito belo, sendo perfeitamente coeso com a mensagem que o filme quer passar.

Kubo e as cordas mágicas é uma jornada empolgante, de uma beleza ímpar e com uma mensagem profunda. É, possivelmente, a melhor animação do ano e deve entrar para a sua lista de filmes à assistir. Se deixe levar pela história e encontre-se cantarolando a música tema por alguns dias.

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