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Crítica: Capitão Fantástico

Um gênero de filme já batido, porém que sempre empolga é o Road Movie. Este gênero é formado por filmes que se desenrolam em uma viagem, com várias situações-problema surgindo e sendo resolvidas conforme o tempo passa. Geralmente tratam mais da viagem em si do que do destino final, ou seja, a jornada é mais importante que a linha de chegada.

Nesse contexto, Capitão Fantástico (2016) é um ótimo road movie, mesmo seguindo estritamente a fórmula já estabelecida por longas como “Into the Wild”, “Pequena Miss Sunshine” e (por que não?) “Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”, ou seja, não há pecado algum em permanecer dentro das diretrizes (pelo menos não desta vez). Dito isto, vamos ao que interessa.

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Ben, interpretado por Viggo Mortensen, é o pai e “capitão” de uma família um tanto diferente, pois, além de possuírem um estilo de vida alternativo no meio da floresta, seus filhos (tanto os mais velhos quanto os mais novos) são exímios atletas, possuem um grande senso crítico e uma intelectualidade muito acima da média. Neste sentido, após um acontecimento impactante, a família se vê compelida a ir para a cidade de pedra com uma “missão” a cumprir.

A narrativa nos envolve e, propositalmente, nos faz simpatizar com o modo de vida levado por esta família, nos empolgamos com seus costumes, sua sinceridade, conceitos do que é moral e, principalmente, com a liberdade para ser o que quiser, sendo alheios ao “Sistema” e exercendo seu direito de buscar a felicidade da forma que for conveniente.

No entanto, com o decorrer da história, alguns contra pontos são muito bem explanados e só então entendemos sobre o que este filme trata. Seria sobre família? Sobre autoritarismo? Críticas ao sistema corporativista? Liberdade? Felicidade? Podemos refletir sobre todas estas questões.

Em termos técnicos, o que se destaca é a trilha sonora muito bem dosada, de aspecto aventureiro e, sendo assim, envolvente. A direção de Matt Ross é outro ponto positivo, com algumas tomadas excelentes, como numa conversa noturna entre dois dos irmãos em uma quadra de basquete ao ar livre.

Talvez a principal falha deste filme seja manter muito do foco na figura do pai, deixando o resto dos personagens em segundo plano, seria muito gratificante conhecer um pouco mais sobre cada um dos filhos e sobre a relação entre eles, pois nos poucos momentos em que isso acontece, temos o vislumbre de algo muito curioso e instigante.

O Impacto entre a sociedade como conhecemos e o modo de vida no qual as crianças foram criadas é um fator muito interessante de acompanhar, com várias tiradas cômicas, principalmente naquelas que abordam situações cotidianas para nós “os escravos do consumismo”. Todavia, é irônico que a fuga incessante pelo o que é imposto por nossa sociedade possa levar a outra espécie de condicionamento e, desse modo, a fuga do autoritarismo se torna apenas outra expressão de autoritarismo.

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